Não estava querendo acreditar no que tinha acontecido nos últimos dias. Mariana enfim estava se vingando de mim? Poderia aquilo ser uma vingança? Eu realmente queria não acreditar nisso.
Meus amigos estavam mais acolhedores do que o normal, estavam vindo em casa todos os dias e me ligando mais do que o normal. Segundo Elisa, Mariana tinha voltado para sua casa mas quase nunca ficava lá, ora estava na faculdade, ora na casa de Amanda, eu sequer tinha visto ela desde o dia que nos encontramos na cafeteria.
Na faculdade, eu finalmente estava entrando de férias, dava graças a Deus pois não queria ver Eduardo me encarando mais.
- Finalmente férias! – Falei para Rogério enquanto abria a porta do carro para entrar.
- Que ótimo, vamos poder curtir mais a partir de agora e...
- Droga! – Rafinha vinha gritando do lado de fora. – Droga, droga e droga! Peguei uma “DP” dá pra acreditar?
- Não brinca Rafa! – Falei enquanto olhava para o banco traseiro onde Rafinha se ajeitava com sua grande mochila.
- Este vai ser o pior natal de todos... – Rafinha falava cabisbaixo.
- Eu que o diga... – Falei baixo.
- Que isso gente? Ânimo! Vamos lá, é natal pô! – Rogério tentava nos animar enquanto olhava para todos os lados como se buscasse algum tipo de ajuda. – Eu juro que vamos ter o melhor natal que vocês já tiveram em suas vidas!
- Bom se você diz... – Rafinha continuava desanimado. – Se você conseguir trazer a Mariana de volta pro Bruno e fazer com que não tenha mais essa “DP”, bom, aí podemos dizer que este vai ser o melhor natal de todos...
- Neste natal nós vamos nos divertir, vamos estar juntos, celebrando nosso amor e amizade, não podemos deixar que nossos problemas sejam maiores do que tudo isso, nós realmente não podemos deixar isso acontecer...
Seguimos para casa ao som de música natalina de um cd da minha mãe que estava dentro do carro. Durante todo o caminho fiquei pensando se poderia realmente ter um feliz natal, se poderia ter alguma chance de ser feliz...
Naquela tarde marcamos de nos encontrar na casa de sucos Ameixa Vermelha para que comentássemos nossas novidades.
- Passei direto somente com notas altíssimas, minha mãe disse que eu mereço um presentão de natal gente! – Lúcia batia palminhas empolgadas enquanto seus olhos brilhavam feito pedras preciosas.
- Humildade... – Rafinha soltou baixinho e ao ver que Lúcia estava o encarando tratou de tomar seu suco de acerola o mais rápido que podia.
- Eu acho que passei, bom tenho aula até depois de amanhã, mas está tudo tranquilo... – Elisa dizia sorrindo.
- Que boa notícia! – Rogério riu enquanto colocava suas mãos sobre as mãos de Elisa.
- E você Bruno, já está de férias? – Perguntou Lúcia.
- Graças a Deus eu estou! A faculdade este ano não foi nada fácil... Bom ainda temos mais dois anos pela frente gente...
- Nem me fale, por mim poderia acabar já! – Rafinha falava exasperado.
- Não! Eu não quero que acabe, nem gosto de pensar nisso... Eu sei que vou sentir muita saudades quando acabar! – Lúcia dizia com um olhar sincero.
- Eu estou sentindo falta da minha faculdade... Acho que ano que vem vou recomeçar aqui com vocês. – Rogério disse empolgado.
- As vezes deve ser bom fazer o que o Rogério fez né? Fazer o que dá na telha, largar tudo e curtir uma aventura... – Disse Lúcia.
- A Mariana está fazendo isso também. – Rogério falou rapidamente e ao perceber que estava tocando em um assunto delicado, ficou vermelho feito tomate apenas olhando para seu copo de suco de limão.
- Como ela está? – Perguntei para Elisa.
- Ah está na mesma Bru... Ela fica em casa um dia e dois na casa da Amanda, e quando ela está em casa ela prefere não falar muito sobre o que tem feito... Parece que ela mudou.
Meu coração sempre pulsava apertado quando eu falava sobre Mariana, mas dessa vez meu coração ficou parado, parecia estar anestesiado, como se tivesse morrido. Eu não sabia se Mariana ainda me amava, e eu não sabia se eu ainda amava Mariana, eu só não queria ficar pensando naquilo por muito tempo pois isso consumia todas as minhas energias.
Deitei minha cabeça no travesseiro naquela noite e logo senti aquela sensação única de alívio, como se todo o cansaço subisse pelo meu corpo exausto e saísse para o ar. Minha mente ficou leve e clara e no meio de manchas escuras o rosto de Mariana se formava, sorrindo para mim ela parecia absolutamente bem.
Logo eu via imagens de mim mesmo beijando Mariana ao lado de uma árvore de natal, estávamos felizes, todos meus amigos estavam por perto e eu sentia a felicidade surgindo em meu peito de uma forma mágica. Aquele sonho poderia ser real, tudo poderia ser perfeito...
Os dias que se passaram foram de ansiedade pré-natal. Rogério organizara um amigo secreto para que trocássemos presentes uns com os outros na noite de natal. Tinha tirado Elisa e já tinha em mente alguns presentes para comprar para ela, porém Mariana, quem eu realmente gostaria de tirar, não estava participando.
Um dia antes da véspera de natal fui até o shopping para comprar o presente de Elisa. Resolvi ir sozinho para que ninguém descobrisse quem era o meu amigo secreto. Fui em algumas lojas e vi algumas bolsas, em outras sapatos, mas nada parecia me agradar naquele shopping. Corri até a livraria e encontrei um ótimo romance que eu tinha certeza de que Elisa adoraria.
Resolvi ir ao banheiro antes de voltar para casa mas ao olhar rapidamente para o lado, vi de relance Mariana sentada com Amanda na praça de alimentação. De primeiro momento pensei em ir até lá e cumprimenta-las, mas ao ver que elas estavam saindo resolvi apenas ficar espiando. Elas seguiram em direção ao estacionamento e eu apenas pensei em seguir. Vi elas entrando em um grande carro vermelho que provavelmente era de Amanda, sentando-se e logo em seguida trocando um beijo rápido e discreto na boca. Meus olhos ficaram descrentes no que tinha acabado de presenciar. Mariana estava tendo um caso com Amanda? Isso era um tanto estranho para mim... Era estranho ver a garota com quem você tinha namorado, com outra pessoa, com outra garota...
A véspera de Natal começara agitada. Rogério me acordou logo cedo para que eu ajudasse ele a embrulhar seu presente. Fizemos isso e logo depois tratamos de ir ao mercado com minha mãe para comprar tudo o que precisava para a ceia de Natal.
- A Mariana podia fazer aquela torta de banana que ela fez outro dia em casa não é mesmo filho? Ela falou que iria fazer no natal... – Minha mãe falou enquanto passava com o carrinho de compras por uma fresta na seção de frutas. O supermercado estava realmente muito cheio.
- Não sei mãe... Não sei mesmo... – Disse olhando para Rogério que apenas me olhava com caridade.
A tarde Rafinha chegou em casa, seguido de Elisa e Lúcia e juntos ficamos arrumando a casa para a ceia de natal logo mais a noite.
- Então não vamos ter torta de banana na ceia de natal? – Rafinha falou com uma cara irônica.
- Não tem graça Rafa! – Elisa olhou feio para Rafinha que logo ficou quieto.
Trabalhamos muito durante aquela tarde, ajudando minha mãe a preparar o jantar e também arrumando a mesa e a decoração. Logo em seguida todos foram embora para poder se preparar. Quando o relógio marcava sete eu, minha mãe e Rogério estávamos prontos vestindo roupas novas bonitas e aos poucos nossos convidados começaram a chegar. Primeiro Rafinha, vestindo uma elegante camisa social azul marinha acompanhado de seus pais Lívia e Ricardo que por sinal também estavam muito elegantes. Logo em seguida vi uma mulher alta de cabelos vermelhos e ondulados se aproximar da porta, era Cristina, mãe de Elisa e esta vinha logo atrás vestindo um lindo vestido rosa e sapatos muito brilhantes, ao seu lado estava Lúcia com seu pais, um homem baixo com um grande bigode e uma mulher alta e loira, eram João e Néia, Lúcia por sinal também estava muito elegante vestindo um vestido prateado.
Todos estavam celebrando o natal de forma amorosa e gentil. Era como se a paz reinasse no ar e alegria enchesse o coração das pessoas. Eu não podia negar, tinha sem dúvidas a melhor família de todas.
A campainha gritou em meio à música alta do Guitar Hero que Lúcia estava enfrentando com Rogério, corri até a janela para ver quem era e então tomei um susto de leve. Mariana estava na porta e ao seu lado, Amanda. Mariana segurava nas mãos um pacote e parecia nervosa.
- Oi! – Falei surpreso.
- Viemos passar o natal com a minha família. – Mariana falou enquanto tinha uma expressão tímida no rosto.
- Ah... – Eu fiquei um pouco sem reação e então em um estalo um estrela brilhou forte no céu me deixando feliz. – Isso não poderia ficar melhor! Entrem!
- Eu trouxe torta de banana... – Mariana disse me entregando o pacote que trazia nas mãos...
- Eu disse que não poderia ficar melhor, mas estou surpreso...
- Tudo bem com você? – Mariana falou enquanto passava as mãos por meu braço. – Só queria te pedir desculpas por qualquer coisa que tenha acontecido nestes últimos dias, quero te dizer que quero ser tua amiga acima de tudo...
Era isso. Oficialmente nós não éramos mais namorados. Mas por incrível que possa parecer eu não liguei. Tenho certeza que o menino Jesus tinha me dado a dádiva de ser feliz naquele natal e por mim estava tudo bem naquele momento.
Todos ficaram surpresos de ver Mariana, foram abraços e mais abraços por todo lado. Amanda não ficou de fora e foi rapidamente acolhida pela grande família que eu tinha. Comemos muito e nos divertimos jogando Twister e contando coisas engraçadas que tinham acontecido um ao outro durante o decorrer do ano. Então quando o relógio bateu meia noite, estávamos todos perto da grande árvore de natal que tínhamos na sala, cada um com seu presente nas mãos, era hora de revelar o amigo secreto.
Foi uma grande diversão descobrir quem tinha tirado quem. Elisa adorou o livro que eu havia comprado e eu ganhei um bonito suéter marrom de Néia, a mãe de Lúcia. Todos riram e se divertiram durante aquela noite de natal, como se não houvesse problemas no mundo, o amor reinava e isso era maior do que tudo. Não importava o quanto tinha sofrido neste ano, naquele momento eu só pensava em coisas boas que tinha passado com meus amigos e minha família. Me lembrei dos sorrisos, das viagens, das aventuras e emoções. E ter aquele momento de Natal que estava tendo ali com todos reunidos e celebrando, sem dúvidas não tinha preço. Rogério tinha razão quando disse que este seria o melhor natal que todos já tínhamos tido. Sem dúvidas era mesmo.
Continua...
História: Bruno Henrique
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