- Bruno! Bruno! – Uma voz feminina gritava de longe. Eu não sabia se estava sonhando ou se aquilo estava realmente acontecendo. – Bruno! Acorda!
Abri os olhos lentamente e pude ver Mariana aparentemente atordoada. O lugar era escuro, o que fez com que eu demorasse alguns segundos para perceber onde estava. Era o quarto onde Felipe tinha me levado horas antes, ou seria na noite anterior? Eu já não sabia que horas eram.
- Graças a Deus! Estou tentando te acordar faz horas! Você está bem? – Mariana continuava preocupada. – Meu Deus o que houve?
- Ãh... – Eu me levantava aos poucos e pude perceber que estava deitado na cama. – Eu não consigo me lembrar.... Minha cabeça ta doendo.
Vi que Felipe estava jogado no chão e em uma cadeira no canto do quarto, Amanda estava sentada, parecia cansada. A festa parecia ter acabado, mas algumas pessoas ainda conversavam do lado de fora do quarto.
- Vamos pra casa, já está tarde! – Mariana segurou meus braços tentando me levantar. – Sua mãe já ligou no meu celular, mas eu não atendi.
Puxei meu celular do bolso da calça e vi que tinha três ligações perdidas. Duas de minha mãe e uma de Rogério. Na certa ele tinha me ligado antes para avisar que minha mãe estava preocupada.
Mariana acordou Felipe e o ajudou a se deitar na cama onde minutos atrás eu estava deitado. Ele parecia um pouco desnorteado por isso nem se despediu de nós. Saímos do apartamento com dificuldade. Minhas pernas estavam bobas e minha cabeça girava e doía ao mesmo eu sentia meu coração acelerado, batendo mais rápido que trem bala.
- O que você fez lá na festa? – Mariana me encarava com um olhar severo dentro do carro.
- Eu...Eu não me lembro. – Falei baixando os olhos, me sentindo culpado.
- Ora, não me venha com essa!
- É sério...
- Por favor Bruno, não tente me enganar!
- Ta bem, eu não queria, mas...
- Você experimentou algum tipo de droga?
Fiquei olhando para meus pés no escuro do carro, minha cabeça agora além de dolorida estava quente, parecia querer explodir.
- O que você usou?
- Má... – Amanda suspirou baixo.
- Não Amanda! Você não sabe que ele está sob minha responsabilidade...
- Ora, você é minha mãe agora? – Levantei os olhos e comecei a gritar com Mariana.
- Por favor! Você é tão infantil, como você pôde vir a uma festa, aceitar algo estranho e achar que vai ficar bem...Me poupe!
- Eu não sou criança!
- Então demonstre isso com atitudes corretas...
- Hey, parem! São cinco e meia da manhã, minha cabeça tá doendo e eu estou morrendo de sono, então menos... – Amanda entrou na discussão.
- Cinco e meia? – Fiquei estático e então acordei com a luz de um carro que vinha do outro lado da rua. – Certo, vocês viram alguma coisa lá? Digo, viram o que realmente aconteceu?
- Nós estávamos sentadas quando notamos que você tinha saído da pista de dança. Resolvemos esperar e depois de um tempo quando vimos que você não voltou nós fomos atrás...
- Eu estava no quarto...
- O Felipe te deixou na cama e voltou pra pista de dança... Achamos estranho e fomos atrás de você.
Seguimos até minha casa. Eu estava completamente arrependido do que tinha feito. Me sentia sujo, estranho e envergonhado, tudo o que eu queria naquele momento era tomar um banho e dormir por horas a fio.
- Bruno...Bruno... – Uma voz me chamava.
Ignorei e mergulhei no sono. Estava dormindo fazia algumas horas desde que cheguei em casa e entrei sem fazer barulho. A primeira coisa que fiz foi cair na cama, sem banho, sem nada. Dormir feito pedra.
- Bruno, já são quase cinco da tarde. – Uma mão me cutucava. Era Rogério. – Acorda, daqui a pouco sua mãe chega e você ainda dormindo.
Eu realmente dormiria por mais algumas horas se Rogério não tivesse me acordado. Estava em um estado lastimoso que só foi melhorado depois de um banho bem quente.
- Você o quê? - Rafinha elevou o tom de sua voz enquanto trocava o canal da TV. Tinha chegado pouco depois de eu ter saído do banho.
- Eu sei que eu errei, eu to me sentindo péssimo.
- Cara, isso aí é muito perigoso, você precisa tomar cuidado! – Rogério me encarava com um olhar gentil.
- Nossa, você é realmente maluco! – Rafinha continuava me encarando incrédulo. – E a Mariana?
- O que tem?
- Como ela estava lá na festa e tal?
- Ela tava com a Amanda né? Eu conheci o Felipe que é amigo delas e por sinal o dono da festa e do apartamento, enfim...
- O cara deve ser louco de pedra... Esses “filhinhos de papai” são todos uns doidos e drogados, muitos nem querem saber de nada.
Eu não estava muito com pique naquela tarde. Minha mãe chegou em casa e perguntou como tinha sido a festa, o que eu tinha feito... Apenas falei que tudo estava sob controle e tive que encarar a expressão de “não concordo com isso” de Rafinha, durante o restante da noite.
- Estou pensando em fazer uma festa para comemorar meu aniversário... – Rogério falou enquanto jogava vídeo game.
- Faz no Jimmy! Nossas melhores festas acontecem lá... – Rafinha falou.
- Quando é seu aniversário mesmo Rogério? – Perguntei olhando para o outro lado da parede.
- Claro! Eu sabia!
Naquela noite estava sem sono. Fiquei deitado na cama, lendo um romance muito dramático para ver se caía no sono, mas não adiantava. “Triiiim”. O som estridente do celular avisava que uma mensagem tinha chegado.
“ E aí, pronto para curtir mais um barato? Ou vai ficar aí acabado?” – Felipe.
- Como ele conseguiu meu número de celular? – Fiz essa pergunta para mim mesmo.
“Cara, não quero mais isso! Na verdade nunca quis! Aquilo foi horrível!” – Retornei a mensagem.
“Esqueceu que temos amigos em comum?” - Ele retornou a mensagem cerca de dois minutos depois.
Eu não queria manter muito o contato com Felipe. Mas algo me dizia que podia ser uma aventura tê-lo como amigo. Como se eu precisasse de algo diferente na vida, de emoção... Não pensei duas vezes e então liguei para Felipe:
- E aí ta a fim de sair?
Continua...
História: Bruno Henrique Gordon
Curta a página de O Cotidiano no Facebook! Clique Aqui






0 comentários:
Postar um comentário
Comente sua experiência.